Sabe aqueles dias em
que você acorda pensando bizarrices? Para mim, hoje foi um deles.
Como alguém que gosta
de animais, principalmente de cachorros, eu presto muita atenção no
comportamento que os nossos amigos de quatro patas apresentam: como eles brincam
entre si, o modo de enterrar o osso e deixá-lo bem escondido e sair com o
focinho todo sujo, o jeito engraçado de saírem atrás de um “matinho verde
comprido” ou uma graminha verde mesmo quando não estão bem do estômago ou da
barriga, também percebo como eles respeitam a hierarquia entre si (quem manda e
quem obedece), dentre várias outras atitudes interessantes às quais vou
prestando atenção e aprendendo um pouco.
Mas eu falei em
bizarrice no começo. E a bizarrice tem a ver com um hábito canino que, se
aplicado entre os seres humanos, daria o que falar: cheirar o traseiro do
outro!
Você já pensou nisso? Os
cães sentem o “cheirinho” do colega para saber a procedência dele, como se
fosse uma identificação, um Registro Geral, o RG. Já pensou se a moda pegasse
entre nós? Seria, no mínimo, bizarro!
Na balada, por exemplo,
quando o garoto se apresenta à menina, nada de “Oi! Tudo bem? Eu sou o Fulano!”
e a menina “Prazer! Ciclana!”. Que nada! A apresentação seria mais ou menos
assim: “Oi! Cheira meu traseiro, gatinha!”. E ela: “Hum! Legal! Sente o
cheirinho do meu! Prazer em te conhecer!”. E eles iriam curtir o resto da night dançando normalmente até chegar
algum colega para a apresentação rolar de novo:
- Você o conhece? –
pergunta a garota, em voz alta, na balada, para o colega que chegou.
- Não sei! Deixa eu dar
uma cheiradinha.
E assim seriam as
apresentações entre as pessoas. E nas rodas de família? Você já parou para
pensar? Chega aquela tia que há mais ou menos dez anos você não via e diz:
- Deixa eu cheirar a
bundinha do meu sobrinho prá ver se é o mesmo!
E lá vai você se virar
para que o nariz de sua titia sinta o odor natural de sua identidade exalar de
seu traseiro para que ela o reconheça ainda como seu sobrinho, sangue de seu
sangue.
Problema poderia dar
quando o “cheirinho” da identidade pessoal estivesse misturada a outros odores
nada agradáveis ou quando você fosse pego despercebido. Já pensou?
Na hora do “pum”, que
com tanto cuidado você tentou esconder, vem alguém querendo saber quem é você. E
então:
- Hummm...Traseiro não
identificado!
E você olha sem jeito, desconfiado,
sem jeito, sim, porque os cães não estão nem aí, mas você não é um cão: você é
um ser humano!
E nessa história de
cheirar o traseiro dos outros para se apresentar, para saber a origem, como um
documento pessoal (não daria para autenticar em cartório esse tipo de
documento), a gente agradece que não passa de pensamento porque em dias de
calor e de muito suor – ai! -, o que ia dar de gente passando umas pelas outras
sem se apresentar só para não ter de sentir o “cheirinho” extra do traseiro não
seria brincadeira.
Mas nada passou de
bizarrice, um pensamento, uma ideia, uma loucura, uma sociedade diferente da
que conhecemos e vivemos hoje. Só sei que eu prefiro me apresentar normalmente:
nada melhor que um aperto de mão ou um aceno de cabeça, pelo menos a nós,
animais humanos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário