domingo, 19 de fevereiro de 2017

Livro "3x5: este não é um livro de Matemática" é lançado em Criciúma

Olá pessoal!
Com muita satisfação escrevo que fizemos o lançamento do nosso livro "3x5: este não é um livro de Matemática" na Livraria Fátima, de Criciúma/SC, na manhã de ontem, sábado, 18, e agradecemos de coração a todos que passaram por lá.
Agora, quem não pôde ir, o livro está à venda na Livraria Fátima e também online no Mercado Livre (link http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-843068725-livro-3x5este-no-e-um-livro-de-matematica-contoscrnicas-_JM)
Grande abraço!!!!!
Lauro, Karla e César
Os autores

sábado, 31 de dezembro de 2016

A cada 14 dias morre um idioma, por El País

A cada 14 dias morre um idioma

Nos últimos 10 anos mais de 100 línguas desapareceram

Reportagem publicada no El País


Tommy George, que morreu em julho, era o último falante de awu laya, uma língua aborígene da Austrália. Getty Images
No mês passado, foi assassinada na floresta do norte do Peru Rosa Andrade, de 67 anos, a última mulher falante de resígaro, uma das 43 línguas indígenas da Amazônia..

Rosa Andrade, a última mulher que falava resígaro, foi assassinada em novembro, na Amazônia peruana.
Tommy George, o último dos kuku-thaypan de Cape York (Austrália), morreu no dia 29 de julho, com 88 anos. Tommy George era o último falante de awu laya, uma língua aborígene da Austrália. Com ele morreram 42.000 anos de história e conhecimentos transmitidos de forma oral.
Cristina Calderón (nascida em 24 de maio de 1928) é a última falante nativa da língua yagán, da Terra do Fogo. Hoje ela vive em Puerto Williams, um assentamento militar chileno na ilha Navarino.
Cristina Calderón (nascida em 24 de maio de 1928) é a última falante nativa da língua yagán, da Terra do Fogo. EL PAÍS
Nos últimos 10 anos, desapareceram mais de 100 línguas; outras 400 estão em situação crítica e 51 são faladas por uma única pessoa. A cada 14 dias morre uma língua, de acordo com a Unesco. Se continuar assim, metade das 7.000 línguas e dialetos falados hoje no mundo se extinguirão ao longo deste século. Quando uma língua morre não se perdem apenas as palavras, mas todo o universo cultural ao qual davam forma: séculos de histórias, lendas, ideias, canções transmitidas de geração em geração que desaparecem “como lágrimas na chuva”, junto com valiosos conhecimentos práticos sobre plantas, animais, ecossistemas, o firmamento. Um dano comparável à extinção de uma espécie.
Fanny Cochrane gravando canções aborígenes da Tasmânia para a Royal Society de Hobart. Wikimedia
Tom Fanny Cochrane, que morreu em 1905, se foi a última língua nativa da Tasmânia. Entre 1899 e 1903, ela gravou num dos primeiros fonógrafos as canções aborígenes que conhecia para a Royal Society of Hobart, a capital da ilha australiana. O cantor folk Bruce Watson conta a história dela em The Man and the Woman and the Edison Phonograph (O Homem e a Mulher e o Fonógrafo Edison). 
A continuação da reportagem você pode acessar no link: <http://brasil.elpais.com/brasil/2016/12/26/cultura/1482746256_157587.html>
Boa leitura! E não podemos deixar mais línguas morrerem sem a devida atenção...
 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"3x5: este não é um livro de matemática"

No último sábado, 17 de dezembro, tive o prazer de lançar o livro "3x5: este não é um livro de matemática" em parceria com duas mentes fantásticas: o jornalista César Pereira e o professor Lauro Henrique, na cidade de Urussanga, sul de Santa Catarina. Agradeço a todos que estiveram presentes na Praça Anita Garibaldi prestigiando o lançamento, incentivando a publicação.
 Amigos passaram na tenda de lançamento para conhecer a publicação co-autoral

 Amigos também prestigiaram o lançamento de "3x5" na manhã de sábado (17)

Presença do presidente do Foto Clube Urussanga, Luiz Antonio Neves Marques

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A mulher dos sinos da matriz




A mulher dos sinos da matriz


Há quase quatro décadas Kamola segue o mesmo ritual três vezes ao dia

Por Karla Ribeiro
Matéria realizada para Faculdade SATC/Curso de Jornalismo em 2013

Com passos rápidos, ela vem descendo o morro da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Urussanga. Todos os dias, três vezes ao dia: poucos minutos antes das seis da manhã, meio-dia e seis da tarde. “Menos domingo porque é meu único dia de folga de tocar os sinos”, explica Terezinha Kamola Costa, mulher simples e de braços fortes, talvez porque tantos anos fazendo os sinos da Matriz soarem os tenham deixado mais vigorosos.
Kamola, como é conhecida em Urussanga, nasceu em Meleiro, mas conta que desde os oito anos de idade foi morar no Paraíso da Criança. “O Paraíso, antes, era um orfanato, vivia cheio de meninas e as freiras não davam moleza para a gente, não”, comenta. Kamola explica que logo após sua mãe falecer, foi doada pelo próprio pai à avó, que acabou a deixando no orfanato. “Éramos em três irmãs e fomos todas deixadas em famílias diferentes. Hoje só tenho contato com uma delas”, recorda.
A menina criada no Paraíso da Criança afirma que nunca se desligou da instituição que a acolheu desde os oito anos de idade. “Eu me criei e me casei aqui no Paraíso. Saí daqui somente por um ano, mas depois voltei. Meus filhos estão criados e hoje moro em um quartinho que, para mim, está bom”, declara.
Atualmente, ela trabalha na cozinha da Casa Lar (abrigo que fica anexo ao Paraíso da Criança), além de tocar os sinos da Igreja Matriz. “Mas isso não é trabalho, é compromisso”, enfatiza.
Mesmo satisfeita com o trabalho realizado, o sonho da casa própria faz parte de sua vida. "Antes de morrer, eu ainda quero comprar minha casinha. Estou guardando um dinheiro para isso porque eu nunca tive esse prazer de morar no que é meu”, diz ela, com os olhos cheios de esperança.

 
Kamola é quem bate os sinos da Matriz

 A arte de tocar os sinos

Aos 63 anos de idade, Kamola mostra-se orgulhosa ao falar de sua função de tocar os sinos da Igreja Matriz diariamente. “Quando nós éramos crianças, sempre acompanhávamos as freiras e fomos aprendendo a tocar o sino. Quem me convidou a fazer essa função foi o Padre Agenor e isso já faz 38 anos”, conta.
Todos os dias, ela segue um roteiro: sai de onde mora no Paraíso da Criança para puxar as cordas dos sinos da igreja do centro de Urussanga. “O relógio da matriz toca às seis da manhã, ao meio-dia e às seis da tarde. Poucos minutos antes de bater o relógio, eu desço e abro a torre dos sinos”, explana.
A torre da Igreja Matriz de Urussanga possui quatro sinos: o sino dos Anjos, o sino das Tempestades, o sino de Nossa Senhora e o sino Solene, este último sendo o maior de todos com 800 quilos.
Quando questionada sobre período de férias, Kamola não hesita e fala satisfeita: “Eu toco direto!”.
O toque dos sinos faz de Kamola uma pessoa especial, pois cada sino possui um som diferente e para cada ocasião se deve tocar de uma forma. “Quando falece criança temos de tocar o sino menor, quando falece mulher são dois toques e quando falece homem são três toques”, explica. “Sem contar que tem que esperar o momento certo para puxar a corda do sino maior, mas já estou acostumada. Afinal, são tantos anos fazendo isso que já estou acostumada”, complementa.



Histórias do sino
Kamola diz nunca ter se atrasado para tocar os sinos. “É muito difícil de eu falhar, o que aconteceu foi o despertador que não despertou”, lembra. “Uma vez aconteceu de eu bater o sino às cinco da manhã, isso faz muitos anos. Era uma manhã bem clara, aí me confundi. De repente começou a passar gente correndo, veio uma mulher e me perguntou se o Papa havia morrido pela hora em que o sino estava tocando. Fiquei espantada, eu me desesperei”, recorda, risonha.
O pároco de Urussanga, padre Jiovani Manique Barreto, também comenta sobre a importância dos sinos da Igreja Matriz. “O comércio se organiza a partir do relógio da torre. Houve um caso até de uma pessoa que ocupava um cargo importante na cidade que registrou um boletim, reclamando do toque do sino em 2008. No entanto, o promotor julgou os sinos da Matriz como patrimônio histórico-cultural de Urussanga na época”, relembra o padre.




domingo, 17 de fevereiro de 2013

JORNALISTA ENQUANTO PUDER


Prestes a completar 79 anos de idade, ele é divertido, crítico e, acima de tudo, jornalista. Lício Silva, gaúcho e gremista de coração, possui uma trajetória de vida muitas vezes não imaginada por quem o ouve e com ele fala. Experiente e amante da vida, ele conta os casos que mais o marcaram, desde os primeiros dias na Brigada Militar do Rio Grande do Sul até sua projeção na vida jornalística. Cheio de casos para contar, ele fala de uma vida rica em detalhes, traduzida em trabalho e otimismo. Esse é Lício Silva, pai de 12 filhos e casado com uma mulher 40 anos mais jovem.

Karla: Lício Silva, como você começou no Jornalismo, sendo que você estava na Brigada Militar?
Lício: Na época da Brigada, eu tinha uma namorada que não queria que eu permanecesse lá. Abandonei a vida militar, mas ela acabou casando com outro e eu, com outra.  Mas uma semana depois li no jornal que a Rádio Farroupilha iria fazer uma seleção para a locução. Decidi participar, acabei ficando em segundo, já que levei vantagem nos conhecimentos gerais. Na seleção havia gente experiente em rádio. Apesar de nunca ter falado no microfone, também consegui. Foi muito importante ter conhecimento na Língua Portuguesa.
K: Você entrou para a Farroupilha?
L: Sim. Entrei já no Jornalismo. E lembro que minha transmissão externa foi da morte de um político muito famoso no Rio Grande do Sul, era candidato a governador.
K: O nome dele?
L: Não lembro. Sei que era muito conhecido. Com a idade a gente se esquece de muita coisa. Outro fator também é o excesso de nomes que lidamos diariamente na profissão. Acabamos esquecendo.
K: Você entrevistou muitos políticos?
L: Sim. Jânio Quadros, Juarez Távola, Gaspar Dutra no final do governo. Aliás, Gaspar Dutra foi o primeiro em quem votei.
K: Em quantas rádios você trabalhou?
L: Já trabalhei em mais de 30 rádios em todo o Brasil: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.
K: Que rádio de SP?
L: Foi em santos, não na capital. Aproveitei a praia e o Carnaval de lá também.
K: Carnaval em Santos?
L: Sim. Um dos melhores do Brasil.
K: No início, você falou que tinha se casado. O que aconteceu durante essas viagens todas?
L: Bem, meu filho mais velho tem 58 anos. Já tenho netos, quase tataranetos. Já tive várias esposas. Já sou até viúvo de duas. Tenho 12 filhos e não sei o número de netos. São tantos...(risos)
K: Como sagitariano, nascido em 10 de dezembro, você acredita em astrologia?
L: Acredito. Já estudei alguma coisa disso também. Inclusive tive um programa chamado “Música, Horóscopo e Sonho”. Já fui produtor de radionovelas também. Isso tudo no Rio Grande.
K: Uma matéria que marcou você?
L: A enchente de 1974. Eu estava no Rio Grande do Sul quando aconteceu. Na realidade, era final de semana, eu trabalhava em Criciúma na Rádio Eldorado, fui passear por lá e tive de dar boletins de Araranguá porque era impossível chegar à cidade. Em Araranguá cheguei de canoa porque até os trilhos da ferrovia foram distorcidos pelas águas. Um boletim interessante que marcou foi o do repórter Esso. Uma noite quando o “original” não pôde. Fui ouvido na Suécia naquele dia.
K: Canoa? Você tem descendência indígena, não?
L: Exatamente. Minha bisnona era índia. Foi laçada literalmente pelo meu bisnono que estava num campo. Ele era moço ainda. Quando a viu, pegou na corda e a laçou, levando-a para casa. Depois de um tempo, a história da família começou. (risos)
K: Falando um pouco mais de você, que tal o Grêmio na segunda divisão do Campeonato Brasileiro?
L: Não falem mal do Grêmio, por favor (risos). Estarei “com o Grêmio onde o Grêmio estiver”. A cor azul é a minha preferida.
K: Dizem que você era muito namorador...
L: Na época que não existia TV era mais fácil. As meninas iam na porta da rádio para falar conosco. Algumas se decepcionavam. Outras, não. Namorávamos bastante, mas somente quando dava tempo. Hoje sou casado com uma mulher 40 anos mais jovem.
K: Que mensagem você leva dessa vida, com a experiência que você adquiriu desde cedo?
L: Se não fosse a vida, não estaríamos aqui (emocionado). A vida é dádiva divina. Agradeço a Deus por permitir que eu ainda fale, ouça...(sai emocionado, sem concluir o pensamento).

Entrevista realizada por Karla Ribeiro no 2º semestre do ano de 2004 enquanto acadêmica da 2ª fase de Jornalismo da UNISUL/Tubarão.
Lício Silva faleceu em 04/12/2011 na cidade de Urussanga, um dia após apresentar seu programa de rádio no sábado pela manhã pela Rádio Fundação Marconi de Urussanga e seis dias antes de seu aniversário. Deixa, ainda, saudades...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Deixa eu apertar a mão mesmo...



Sabe aqueles dias em que você acorda pensando bizarrices? Para mim, hoje foi um deles.
Como alguém que gosta de animais, principalmente de cachorros, eu presto muita atenção no comportamento que os nossos amigos de quatro patas apresentam: como eles brincam entre si, o modo de enterrar o osso e deixá-lo bem escondido e sair com o focinho todo sujo, o jeito engraçado de saírem atrás de um “matinho verde comprido” ou uma graminha verde mesmo quando não estão bem do estômago ou da barriga, também percebo como eles respeitam a hierarquia entre si (quem manda e quem obedece), dentre várias outras atitudes interessantes às quais vou prestando atenção e aprendendo um pouco.
Mas eu falei em bizarrice no começo. E a bizarrice tem a ver com um hábito canino que, se aplicado entre os seres humanos, daria o que falar: cheirar o traseiro do outro!
Você já pensou nisso? Os cães sentem o “cheirinho” do colega para saber a procedência dele, como se fosse uma identificação, um Registro Geral, o RG. Já pensou se a moda pegasse entre nós? Seria, no mínimo, bizarro!
Na balada, por exemplo, quando o garoto se apresenta à menina, nada de “Oi! Tudo bem? Eu sou o Fulano!” e a menina “Prazer! Ciclana!”. Que nada! A apresentação seria mais ou menos assim: “Oi! Cheira meu traseiro, gatinha!”. E ela: “Hum! Legal! Sente o cheirinho do meu! Prazer em te conhecer!”. E eles iriam curtir o resto da night dançando normalmente até chegar algum colega para a apresentação rolar de novo:
- Você o conhece? – pergunta a garota, em voz alta, na balada, para o colega que chegou.
- Não sei! Deixa eu dar uma cheiradinha.
E assim seriam as apresentações entre as pessoas. E nas rodas de família? Você já parou para pensar? Chega aquela tia que há mais ou menos dez anos você não via e diz:
- Deixa eu cheirar a bundinha do meu sobrinho prá ver se é o mesmo!
E lá vai você se virar para que o nariz de sua titia sinta o odor natural de sua identidade exalar de seu traseiro para que ela o reconheça ainda como seu sobrinho, sangue de seu sangue.
Problema poderia dar quando o “cheirinho” da identidade pessoal estivesse misturada a outros odores nada agradáveis ou quando você fosse pego despercebido. Já pensou?
Na hora do “pum”, que com tanto cuidado você tentou esconder, vem alguém querendo saber quem é você. E então:
- Hummm...Traseiro não identificado!
E você olha sem jeito, desconfiado, sem jeito, sim, porque os cães não estão nem aí, mas você não é um cão: você é um ser humano!
E nessa história de cheirar o traseiro dos outros para se apresentar, para saber a origem, como um documento pessoal (não daria para autenticar em cartório esse tipo de documento), a gente agradece que não passa de pensamento porque em dias de calor e de muito suor – ai! -, o que ia dar de gente passando umas pelas outras sem se apresentar só para não ter de sentir o “cheirinho” extra do traseiro não seria brincadeira.
Mas nada passou de bizarrice, um pensamento, uma ideia, uma loucura, uma sociedade diferente da que conhecemos e vivemos hoje. Só sei que eu prefiro me apresentar normalmente: nada melhor que um aperto de mão ou um aceno de cabeça, pelo menos a nós, animais humanos.